sábado, 19 de abril de 2008

Somos especiais! Você é especial, muito especial!


Sua presença é uma benção, você é único e só há uma pessoa igual a você em todo o Cosmos. Sua vida pode se tornar o que quiser que ela seja. Portanto, vamos ser o melhor que pudermos, vestir o melhor possível, caminhar tranqüilamente, elogiar as pessoas pelo que fazem, ao invés de criticá-las pelo que ainda não podem realizar. Viva os dias, apenas um de cada vez. Conte suas bênçãos, não as dificuldades, pois estas você superará quando elas vierem.

Êxito, glória, sucesso... Muitas pessoas buscam esses objetivos, mas não se constrói um nome respeitável de um dia para o outro, é preciso empenhar-se bastante, ainda que obstáculos e quedas. Lembre-se das infinitas possibilidades que surgem quando existe uma forte fé em Deus e em si mesmo, que você possa utilizar os talentos que você possui em seu benefício e em prol de todos à sua volta, retribuindo as dádivas que foram oferecidas a você. Que você possa estar sempre contente, sabendo que tu és um maravilhoso filho de Deus; permitindo que essa presença divina ilumine seu coração e permita à sua alma a liberdade de cantar e dançar.

É preciso superar os impedimentos, é necessário ter motivação, persistir e, como diz o Apóstolo Paulo, “combater o bom combate”. A existência é uma sucessão de etapas e o que realizamos em vida repercute na eternidade, dentro de você há respostas para todas suas dúvidas existenciais. Seja forte, buscando o apoio nas virtudes da compreensão e da coragem. Não coloque limites em si mesmo, pois muitos sonhos belíssimos estão apenas esperando para serem concretizados em seu viver.

Planeje como você estará daqui a alguns anos e assim o será, desde que você coloque seus dons e habilidades a favor da realização deste ideal. Algumas vezes, os revezes do destino nos pegam de surpresa, nem sempre sendo possível fazer apenas o que gostamos. Mas todo aquele que procura realizar bem as suas atividades, com entusiasmo e dedicação, a cada dia progride mais.

Nossos dias são como as marés dos oceanos: há etapas de bonança e tranqüilidade, e há períodos importantes e decisivos, em que nos é cobrada uma grande determinação, dedicação, inovação e uma grande força interior. Os problemas e adversidades funcionam como alavancas que impulsionam o nosso progresso em todas as áreas de nosso viver, são estímulos que intensificam nosso aperfeiçoamento.

Nosso maior temor não é o de sermos inadaptados, o que mais costuma trazer receio é que temos um potencial imenso que ultrapassa nossa imaginação. Você pode estar se questionando: quem sou eu para ser uma pessoa ilustre, admirável, competente e fantástico?
Mas você possui este sagrado direito de ter uma vida iluminada e feliz e, quanto mais você permite que sua luz se expanda, mais você está contribuindo para que as outras pessoas sigam o seu exemplo de alegria e sucesso, pois uma de nossas maiores missões é a de testemunhar a grandiosidade e amor divinos em nosso mundo.

Quando você desenvolve sua alto-estima, você passa a olhar a vida de frente, confiando em si mesmo para conseguir as coisas que procura e para vencer os impedimentos que possam aparecer. Aquele que possui um conceito elevado de si mesmo tem a convicção que mesmo se tudo der errado, mesmo que as dificuldades atuais tenham sido causadas por suas próprias falhas, ele tem um elevado valor pessoal e pode investir em si próprio para que tudo melhore.

Busque o seu melhor, alcance o prêmio que a vida dedica a todos os que possuem consciência de sua nobre missão e se dedicam a cumpri-la. Nada consome mais recursos vitais do que o medo e a inquietação, por este motivo, quanto mais tempo nos preocupamos com um problema mais pesado ele se torna. Sendo assim, mantenha a responsabilidade e dignidade, mas não leve as coisas tão à sério. Vida de forma tranqüila e alegre deixando de lado os arrependimentos, se algo não saiu como você desejava simplesmente recomece novamente fazendo melhor desta vez. Lembre-se de que a luz é infinitamente superior à escuridão, uma simples vela consegue vencer as mais densas trevas, da mesma forma as nossas boas ações são o melhor investimento que podemos realizar em nosso benefício e em prol de quem amamos.

Cultive as boas amizades, elas nos enobrecem e nos estimulam na busca pelo nosso auto-respeito e auto-realização, pois a verdadeira riqueza da vida são as pessoas. Procure fazer tudo com dedicação e amor, mesmo as coisas simples, pois a vida é simples; nós é que às vezes a complicamos. Invista em sua saúde, alegria e em seus dons naturais, lembre-se sempre do quanto você é especial e valoroso. Que a verdadeira paz esteja sempre contigo e que confie sempre no sublime poder que há em você.

Você é Especial


Digamos que eu esteja em um local repleto de pessoas e esteja segurando uma nota de 100 reais. Caso eu pergunte à platéia se alguém deseja receber esta nota, certamente todos irão dizer que sim. Agora imagine que eu amasse esta mesma nota, ainda assim todos estariam interessados nesta cédula.

Mesmo que eu venha a pisá-la e esfregá-la, a atração do público sobre ela permaneceria idêntica.

Isso mostra que não importa o que eu faça com esta nota, todos continuarão querendo-a, porque ela não perde o seu valor; ela continuará valendo 100 reais. Essa situação tão ocorre conosco.

Muitas vezes, em nosso dia-a-dia, somos criticados, ofendidos e ficamos manchados por atos que praticamos ou pelas situações que surgem em nossos caminhos. E assim, ficamos nos sentindo desacreditados, sem importância. Porém, acredite, não importa o que ocorreu ou o que acontecerá no futuro, jamais perderemos nossa importância perante o Universo. Quer nos encontremos manchados, quer nos encontremos limpos, quer estejamos amassados ou inteiros, nada disso muda a importância que temos. O nosso valor não é apenas pelo que fazemos ou que sabemos, mas pelo que Somos!

O Valor da Dignidade


Durante minha vida tenho observado que a maior consideração não é sempre dirigida ao mais rico ou ao mais famoso, mas aos heróis anônimos, que não têm espaço na mídia e que não vêem seus nomes estampados nos jornais, mas cujo verdadeiro valor é reconhecido por Deus e por todas as pessoas que recebem os benefícios de suas nobres ações. Algumas vezes eles possuem pouco status, mas tem um grandioso valor. O verdadeiro valor de uma pessoa não está em sua conta bancária, mas sim em seus valores morais, em seu empenho na busca do auto-aperfeiçoamento e em sua contribuição para uma sociedade mais feliz.

Auto-estima


Pesquisas recentes vêm demonstrando que auto-estima dos brasileiros, em sua maioria, anda baixa em relação a outros países e este é um problema que precisamos corrigir. Gostaria de dizer uma coisa a você: não permita que os temores determinem seus atos, uma boa opinião sobre si mesmo é essencial para se ter uma boa qualidade de vida e ser feliz.

Tal como formamos a base de nossa auto-imagem é que passamos a valorizar a nós próprios e as pessoas à nossa volta. É através deste ângulo que observaremos o mundo e a partir desse modo de vista é que se baseiam nossas ações. Sendo assim, quanto mais nos amamos e respeitamos, mais amor e consideração dedicamos a todos, todos os bons sentimentos de paz, entusiasmo e alegria que acalentamos em nosso coração automaticamente se estendem para todas aqueles que convivem conosco. Sendo assim, ao nos amarmos estamos contribuindo para haja mais amor e bondade em nosso planeta.

Alguém certa vez fez a seguinte prece: “Ó Pai Celestial, auxilia-me a possuir uma excelente opinião a meu respeito”. Esta deve ser a prece de todas as pessoas, não com o objetivo de se ter uma personalidade vaidosa e arrogante, mas sim ter uma auto-estima digna, que é a fé em seu valor pessoal, valor perante Deus e a Humanidade. A auto-estima é o item fundamental de nosso progresso e de nossa plenitude pessoal.

A verdadeira auto-estima não tem relação com a futilidade, mas sim é ligada ao respeito próprio, à bondade e à honestidade, ela surge da harmonia e da força interior de cada um de nós. É ela que mantém todos os dispositivos de autodefesa ativados e em bom funcionamento, funcionando como um grande estímulo à preservação de nossa saúde física e mental.

Técnicas para o perdão


- Distanciamento psíquico do problema ou situação conflitante

Uma das formas básicas para cultivar-se o perdão verdadeiro é manter uma certa distância psíquica do problema e das discussões. Esta distância psíquica consiste em podermos fazer uma avaliação do problema como se o mesmo não estivesse acontecendo conosco. Este distanciamento permitirá que não exageremos na interpretação do fato, o que causaria sentimentos negativos e sobrecarregaria nossa energia mental. A mente com esta sobrecarga dificulta o perdão.

Assim nos desvinculando da ofensa, nossos pensamentos irão sintonizar com mais nitidez e clareza no bem, renovando nossa atmosfera mental. Também é muito importante interromper os diálogos mentais em torno do ofensor ou do problema, que costumam ficar reprisando-se de modo constante em nossa mente quando estamos magoados ou revoltados, e para que isso aconteça é preciso cultivar os bons pensamentos que, pouco a pouco, irão substituir e anular os pensamentos negativos. Ao conseguirmos realizar esse desprendimento psíquico, conseguimos voltar a utilizar positivamente as nossas energias mentais, retirando de nossos pensamentos aqueles fatos desagradáveis que aconteceram em algum momento de nossa vida.

Outro passo importantíssimo é a prática da oração que possibilita nos reequilibrarmos interiormente, já que a prece restaura os sentimentos de alegria e tranqüilidade, possibilitando nossa harmonia.

Esse distanciamento psíquico não é uma forma de se cultivar a frieza e insensibilidade. Ele consiste em uma forma de afastar-se de problemas e situações que não podem ser resolvidas neste momento, evitando desgastes desnecessários.

Ao observarmos a realidade à nossa volta de uma forma abrangente e sábia, temos a oportunidade de descobrir novos meios de se solucionar os problemas, alcançando uma maior compreensão de nós mesmos e das outras pessoas.

- O perdão cognitivo

Este método visa a prática de pensamentos de perdão e de declarações positivas em relação àquele que tenha nos ofendido, orando a Deus por esta pessoa. Este é um processo que a pessoa faz em seu íntimo sem precisar, à princípio, entrar em contato pessoal com aquele que a tenha prejudicado. Essa técnica funciona como uma terapia emocional, possibilitando a si mesmo exercer o sentimento de compaixão e de generosidade para com aquela pessoa que o tenha ferido.

Seguir o perdão cognitivo é exercer um perdão emocional, a abertura de si mesmo à compaixão e ao amor para com aquele que o feriu. Jesus já ensinava essa técnica há mais de dois mil anos, quando disse de forma extremamente sábia: ”bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem...”. Realmente quando nos propomos a orar por aqueles que nos ofenderam, e se possível fazendo o bem a eles de algum modo, estaremos evoluindo muitíssimo como pessoas e dando o exemplo para que o ofensor se transforme para melhor, tornando-se uma pessoa de bem, podendo até no futuro transformar-se em um grande amigo nosso.

Há o caso verídico de um bom homem que passou por uma situação em que teve a oportunidade de aplicar com êxito esta técnica:

Ele possuía um cachorro, que nascera deficiente ou fora atropelado. O animal lhe dava muito trabalho. À noite, quando regressava de seu trabalho, estando cansado, ele tinha ainda que limpar o quarto onde o cãozinho ficava, pois ele não conseguia sair do lugar em que era colocado em virtude de seu problema físico; e também não tinha como deixar o cão no quintal de seu barracão, pois havia outros moradores neste lote e que reclamariam do mal cheiro. Sendo assim, a solução era mantê-lo dentro de casa. Gastava com o cão parte do seu magro salário em alimentos, remédios e agasalhos. Mas, embora tivesse esse trabalho com o cãozinho, gostava muito dele e sentia um imenso carinho por ele.

Um dia, quando chegou do trabalho, o cachorro estava morrendo. O cãozinho olhou-o demoradamente, de um jeito muito terno, abanou a cauda e morreu. Ele foi enterrado no fundo do quintal, enquanto este rapaz derramava sentidas lágrimas. Meses depois, uma de suas irmãs lhe disse: - Você se recorda daquele cachorro aleijado? Vou lhe contar uma coisa. Não foi morte natural. Dona Fulana tinha pena de ver você chegar de madrugada e ainda ter tanto trabalho e despesas. Por isso, para seu alívio, lhe deu veneno. O rapaz entrou em prantos. - Meu Deus, não me digam uma coisa dessas!

Ele não ficou com raiva, mas ficou magoado e triste. Foi quando um grande amigo seu lhe disse: - A mágoa que você asila no seu coração está lhe prejudicando. Busque perdoar e compreender a atitude desta senhora, ela não fez isso por mal.

- Eu sei disso, mas não estou conseguindo esquecer o que aconteceu, respondeu o rapaz.

- Mas é preciso, disse o seu amigo.

- Como?

- Dando uma grande alegria àquela mulher.

- Eu dar alegria a ela? Mas fui eu o ofendido! Disse o moço admirado.

Seu amigo foi categórico: - A receita não é minha. É de nosso Senhor Jesus Cristo. Leia o Evangelho: "Fazei o bem aos que vos aborrecem".

Resignado, o moço saiu à procura de informações e descobriu que a senhora que lhe envenenara o cão de estimação desejava muito possuir uma máquina de costura. Dirigiu-se, então, a uma loja e ali adquiriu essa máquina que seria paga em longas prestações. Quando foi visitá-la com o presente, essa mulher ficou tão feliz que o abraçou e beijou, com tanta gratidão e tanto amor, que a sombra de mágoa que ele trazia no coração se dissipou e uma luz de energias positivas o envolveu da cabeça aos pés. Foi assim que ele pôde voltar a encontrar a paz e a alegria em seu coração, continuando em seu trabalho em benefício das pessoas mais carentes e que precisam de consolo.

Ao fazer esse ato tão bonito de reconciliação, esse moço cumpriu outro ensinamento cristão que diz:

“Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,

Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta.

Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele” (MATEUS 5: 23-25).

Então ele decidiu: Mágoa no coração, nunca mais!

Dicas úteis que facilitam a prática do perdão:

- Compartilhe o fato que provocou a mágoa ou irritação com uma pessoa de confiança e que seja capaz de guardar segredo sobre o fato ocorrido. Quando dividimos um problema ele se torna menor e fica mais fácil de ser resolvido;

- Lembre-se que você cultivar a felicidade e o sucesso são a melhor vingança. Em vez de desperdiçar energia e tempo com mágoas e vinganças – o que estaria dando maior destaque àquele que te ofendeu – aproveite o seu tempo investimento em seu progresso pessoal, na prática do bem e no cultivo da sabedoria;

- Reconheça que o te faz verdadeiramente sofrer não é a agressão sofrida no passado distante ou recente, mas sim os sentimentos e pensamentos negativos que você esteja cultivando em torno deste assunto. Desta forma, mudando o foco dos pensamentos, o problema se vai junto com essas idéias;

- Mude a forma de encarar o problema ocorrido: em vez de se colocar como vítima de uma agressão ou insulto, veja-se como um herói que teve a coragem de praticar o sublime ato do perdão.

Vivendo a vida em paz


Agora que vimos a importância de se perdoar, nada melhor que observarmos como se obter um relacionamento mais harmonioso com as pessoas, evitando os males antes que eles aconteçam.

Diante de ataques verbais de pessoas irritadas, usemos o recurso do silêncio que promove a calma e o equilíbrio das emoções;

Diante de pessoas que buscam nos comprometer em intrigas das quais não fizemos parte, permaneçamos fiéis ao cumprimento de nossos deveres. A verdade demonstrará nossa inocência, mais cedo ou mais tarde.

Frente às contendas prejudiciais em que não seja possível uma reconciliação, aproveitemos o tempo em atividades úteis e benéficas;

Ao notarmos que pessoas vaidosas e ignorantes estejam rindo de nós de forma irônica e negativa, tenhamos compaixão. Outros certamente as corrigirão no momento oportuno;

Ao observarmos uma luta entre pessoas desconhecidas, não nos envolvamos. Procuremos nos afastar, dirigindo uma prece a Deus em favor da paz entre os brigões;

Em todos os problemas que surjam em nossa existência, cultivemos a paciência, a sabedoria e disciplina, a fim de continuarmos progredindo na escalada evolutiva.

A cura através do perdão


Pesquisas e estudos vêm sendo realizadas nesses últimos tempos no intuito de comprovar o poder e proveitos que surgem com a prática do perdão.

Na Clínica Mayo, nos Estados Unidos, uma das mais famosas do mundo, os neurologistas instruem seus pacientes que o ressentimento e a mágoa intoxicam, causando doenças e a morte de inúmeras pessoas e que o perdão restaura, balsamiza e promove a saúde e uma vida longa e harmoniosa. Inclusive a medicina psicossomática aconselha o perdão como um excelente medicamento para a mente, atuando no alívio e prevenção do estresse e tensão do dia-a-dia.

O perdão é uma característica das pessoas generosas, que se colocam acima de qualquer ofensa. Aquele que já aprendeu a perdoar é tranqüilo, repleto de brandura, sentindo-se feliz na prática da solidariedade, do amor ao próximo e a si mesmo.

Uma equipe liderada por Charlotte Van Oyen Witvliet, professora de psicologia do Hope College, em Michigan-EUA realizou um estudo que contou com a participação de 71 voluntários. Nele, foi solicitado a eles que recordassem de alguma ofensa grave ou um grande prejuízo que alguém lhes tivesse causado no passado. Neste momento, foi comprovado um aumento da pressão sanguínea, da tensão muscular e dos batimentos cardíacos, que são os mesmos sintomas presentes quando alguém sente ódio ou uma grande irritação.

E a partir do momento em que foi pedido a estes voluntários que se vissem perdoando e se reconciliando com aqueles que lhes tinham prejudicado, eles se tornaram mais tranqüilos, com batimentos e pressão mais baixos. Outro grande estudioso deste assunto é o Dr. Fred Luskin, autor de O Poder do Perdão e doutor em aconselhamento clínico e psicologia da saúde pela Universidade de Stanford.

Depois de ter sido muito magoado por um grande amigo seu, Luskin conseguiu, sozinho, encontrar uma maneira de lhe perdoar, e decidiu pesquisar se o seu método seria útil a outras pessoas em casos parecidos ou ainda mais difíceis que aquele que tinha vivenciado. A partir daí, deram-se início os seus estudos.

No ano de 1999, ele deu início ao Projeto da Universidade de Stanford para o Perdão, tendo reunido em sua pesquisa dissertativa uma técnica psicoterapêutica, tendo como foco a emotividade racional, com observações sobre o prejuízo causado por sentimentos negativos como o ódio, o ressentimento e a mágoa no aparelho cardíaco.

Seus métodos foram desenvolvidos em várias pesquisas, sendo uma delas com dois grupos de pessoas que foram prejudicadas pelos confrontos entre grupos religiosos na Irlanda: um grupo de mulheres e homens que sofriam com o falecimento de algum de seus familiares; e outro grupo de mães que tiveram seus filhos assassinados. Na realização deste projeto, Luskin teve como colaboradores o PhD em Psicologia, Carl Thoresen, e uma militante irlandesa que há três décadas trabalha pela paz no país em que vive.

Os participantes foram divididos em grupos e supervisionados, passando aproximadamente 42 dias tendo lições sobre técnicas de perdão. Os resultados iniciais demonstraram, de acordo com Thoresen, que os participantes apresentaram diminuição do nível de estresse, viam-se menos revoltados e crendo que, no futuro, eles estariam preparados para perdoarem mais facilmente. Estas pesquisas demonstraram também que o ato de perdoar pode originar uma melhora na saúde física, pois essas pessoas tiveram uma diminuição significativa em sintomas como dores de cabeça, náuseas, falta de sono, perda de apetite, e dores no peito e na coluna.

O perdão atua, então, como uma forma de se encontrar a tranqüilidade e a harmonia, tanto com as outras pessoas quanto consigo próprio, já que a mágoa tem um efeito paralisante na vida das pessoas. E como o perdão nos liberta do sentimento da mágoa, ele nos permite prosseguir em nossa vida tendo a alegria e bem-estar que todos desejamos.

A mágoa e a falta de esperança causam problemas físicos e psicológicos, sendo prejudiciais ao nosso bem-estar. A vida nos apresenta obstáculos contínuos e é necessário conhecer um meio de se superar esses problemas e, dessa forma, conservar a paz e a serenidade. É justamente para isso que há o perdão.

A redução e eliminação de emoções prejudiciais, como o ressentimento, surge com a prática do perdão. Perdoar é um exercício que visa nosso reequilíbrio interior. Pode acontecer de se perdoar alguém em um dia e o ressentimento voltar depois de algum tempo. Mas é por isso que perdoar é um processo a ser praticado. Se a pessoa continua pensando ou falando com raiva de alguém, é porque o perdão ainda não se realizou por completo.

O ato de perdoar torna menos importante a ofensa recebida, permitindo que se permaneça tranqüilo mesmo tendo sido prejudicado de alguma maneira. A pessoa que exerce o perdão reconhece o erro e o mal, mas ao perdoar ela consegue levar a vida normalmente, sem ficar se afligindo com sentimentos inferiores.

Perdão e justiça, inclusive, podem viver juntos. O ato de perdoar não impede que se tome as medidas cabíveis ao caso que sejam permitidas pela Lei. A diferença é que a pessoa não as faz de uma forma odiosa ou desequilibrada.

O ato de perdoar diminui a aflição e desequilíbrios íntimos que poderiam criar doenças físicas. Desculpar diminui a tensão que surge ao se pensar em algo traumático e desgastante, e que não tem como ser mudado, enfim, o perdão é um ato de cura interior.

Problemas causados pelo ressentimento


Problemas causados pelo ressentimento

A intolerância e o ressentimento afligem muito mais aqueles que os cultivam do que aqueles a quem é negado o perdão. O maior problema de não perdoar é que, ao se adotar esta postura, a pessoa se distancia das coisas boas e de real valor na vida. Desde o instante em que fixamos nossa atenção naquele que nos ofendeu, ficamos impedidos de notar aqueles que nos amam e nos querem bem.

Esse fato afeta negativamente nosso bem-estar mental e físico, já que aumentamos a duração do sofrimento e não conseguimos perceber os benefícios que recebemos daqueles que nos cercam. É muito importante notar que não se deve personificar excessivamente a dor e o sofrimento, é preciso compreender que momentos difíceis ocorrem com todas as pessoas, sendo que valorizar ou exagerar a dor só vai potencializá-la e prolongá-la.

A arte de perdoar


A amargura e o ressentimento são alguns dos problemas que mais prejudicado a vida de pessoas em todo o mundo. Muitas aflições que existem na sociedade são conseqüências diretas ou indiretas da falta do perdão na vida de uma pessoa: conflitos emocionais, desentendimentos familiares, divórcios, solidão, depressões, enfermidades psicossomáticas e distúrbios mentais são alguns dos problemas gerados ou agravados pela intolerância e rancor.

A paz e liberdade interior que tanto se busca no intuito de alcançar uma existência plena e saúde emocional, física e espiritual estão diretamente ligadas à atitude de perdão contínuo e incondicional. O perdão traz liberdade para aquele que perdoa, enquanto que o ressentimento é sentir novamente, voltar a lembrar e reviver mentalmente ocorrências negativas que já poderiam ter sido esquecidas se tivéssemos recorrido ao bálsamo curativo do perdão. Por isso, Jesus nos ensina a orar dizendo: “perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mateus 6:12).

O Poder Sublime do Perdão

Certo dia, uma mulher inconformada com o rompimento de seu noivado que já durava quase dois anos, infelizmente permitiu que a mágoa e o ódio se instalassem em seu coração e fez um telefonema ao seu ex-noivo. Nesta ligação ela derramou todo o amargor e revolta que sentia naquele momento.

Assim que o rapaz ouviu estas palavras de revolta, acolheu-as igualmente em sua mente, tornando-se completamente irritado e com os nervos à flor da pele. Encontrou, logo depois, um de seus funcionários e, alegando uma pequena falha na execução de um serviço, repassou a este funcionário toda aquela carga emocional negativa que trazia consigo.

Foi a hora então deste funcionário passar a sentir-se intensamente colérico, sem dizer o porquê. Guardou essa emoção dolorosa em seu íntimo, permanecendo desgostoso por muitas horas e, horário de seu almoço, ao invés de realizar sua refeição tranqüilamente, descarregou em sua sogra esta perigosa energia do ódio. Tão somente por alguns poucos minutos de atraso no preparo do almoço, dissera a esta senhora várias palavras duras e ásperas, sentindo-se um pouco mais aliviado momentaneamente, embora a culpa e a tristeza viessem a acompanhá-lo pelo resto do dia em decorrência das agressões verbais dirigidas a esta mulher.

Agora foi a vez desta senhora ser a portadora do raio invisível da raiva em seus sentimentos, sentindo-se presa de uma cólera repentina e quase que incontrolável. Subitamente sentindo-se ferida e magoada, dirigiu-se ao porteiro do prédio em que morava e tratou-o de forma deseducada e indesejável, envolvendo-o completamente naquela nuvem de descontrole e antipatia.

Não tendo em quem descarregar o desequilíbrio que passou a sentir, este homem, pretextando um grande mal estar, pediu a seu patrão que providenciasse um substituto para o trabalho daquele dia e rumou, pleno de ódio, em direção ao lar de seus pais, onde o aguardava seu idoso e bom pai para o jantar. Este homem chegou e descarregou sobre este bom senhor toda a ira de que se tornou portador.

- Não agüento mais! Disse em desespero – O senhor é responsável pelos problemas que me acontecem! Estou cheio desta vida miserável! Suma de minha vista!...

Disse palavras detestáveis. Criticou, gritou revoltado e temporariamente enlouquecido de ódio.

Seu digno e amoroso pai, no entanto, ao invés de se irritar, segurou suas mãos e lhe falou com bondade e humildade:

- Aproxime-se, meu filho. Você se encontra aflito e cansado. Conheço a sua dedicação por nossa família e compreendo que você possui motivos para se queixar. Entretanto, tenhamos esperança e paciência! Recordemos o querido Mestre Jesus. Tudo passa nesta vida, procuremos o auxílio do Cristo e nos dediquemos a vivenciar a bondade que Ele nos ensinou.

Abraçou-o afetuosamente e acariciou-lhe o cabelo.

O filho passou a fixar aqueles olhos sábios e amorosos e notou tanta afeição e tamanho perdão que não pode conter as lágrimas a correr de seus olhos, pedindo-lhe desculpas de forma sincera e comovida.

Surgiu então naquele modesto e agradável lar um derramamento de puras e verdadeiras alegrias e a celebração do verdadeiro entendimento e amor necessários à harmonia entre as pessoas. Tiveram um agradável jantar e realizaram uma comovida prece em agradecimento ao Pai Celestial.

A energia negativa do ódio desapareceu ali, no lar amoroso, diante da força celestial e restauradora do perdão.

Erre Auxiliando


Auxilie a todos para o bem.

Auxilie sem condições.

Ainda mesmo por despeito, auxilie sem descansar, na certeza de que, assim, muitas vezes, poderá você conquistar a cooperação dos próprios adversários.

Ainda mesmo por inveja, auxilie infatigavelmente, porque, desse modo, acabará você assimilando as qualidades nobres daqueles que respiram em Plano Superior.

Ainda mesmo por desfastio, auxilie espontaneamente aos que lhe cruzam a estrada, porque, dessa forma, livrar-se-á você dos pesadelos da hora inútil, surpreendendo, por fim, a bênção do trabalho e o templo da alegria.

Ainda mesmo por ostentação, auxilie a quem passa sob o jugo da necessidade e da dor, porque, nessa diretriz, atingirá você o grande entendimento, descobrindo as riquezas ocultas do amor e da humildade.

Ainda mesmo sob a pressão de grande constrangimento, auxilie sem repouso, porque, na tarefa do auxílio, receberá a colaboração natural dos outros, capaz de solver-lhe os problemas e extinguir-lhe as inibições.

Ainda mesmo sob o império da aversão, auxilie sempre, porque o serviço ao próximo dissolver-lhe-á todas as sombras, na generosa luz da compreensão e da simpatia.

Erre auxiliando.

Ainda mesmo nos espinheiros da mágoa ou da ilusão, auxilie sem reclamar o auxílio de outrem, servindo sem amargura e sem paga, porque os erros, filhos do sincero desejo de auxiliar, são também caminhos abençoados que, embora obscuros e pedregosos, nos conduzem o espírito às alegrias do Eterno Bem.

Da obra: Apostilas da Vida

de André Luiz, por Francisco Cândido Xavier


VENCERÁS


Não desanimes. Persiste mais um tanto. Não cultive pessimismo. Esquece as sugestões do medo destrutivo. Segue adiante, mesmo varando a sombra dos próprios erros. Avança ainda que seja por entre lágrimas. Trabalha constantemente. Edifica sempre. Não consintas que o gelo do desencanto te entorpeça o coração. Não te impressione a dificuldade. Convence-te de que a vitória espiritual é construção para o dia-a-dia. Não desista da paciência. Não creias em realização sem esforço. Silêncio para a injúria. Olvido para o mal. Perdão às ofensas.

Recorda que os agressores são doentes. Não permitas que os irmãos desequilibrados te destruam o trabalho ou te apaguem a esperança. Não menosprezes o dever que a consciência te impõe. Se te enganaste em algum trecho do caminho, reajusta a própria visão e procura o rumo certo. Não contes vantagens, nem fracassos. Estuda buscando aprender. Não te voltes contra ninguém. Não dramatize provocações ou problemas. Conserva o hábito da oração para que se te faça luz na vida íntima. Resguarda-te em Deus, persevera no trabalho que Deus te confiou. Ama sempre, fazendo pelos outros o melhor que possas realizar.

Age auxiliando. Serve sem apego E assim vencerás.

(Francisco Cândido Xavier)

Presença de espírito e caridade


É a sra. Emory Howes, uma americana, quem conta:

“Minha mãe era uma pessoa extremamente bondosa. Uma vez, estando nós à mesa do jantar, ela nos mostrou o que é realmente a bondade. Coisa temida por nós era a visita anual do velho afinador de piano, porque ela gaguejava muito e, invariavelmente, acontecia ficar ele para uma refeição. Minha mãe nos dissera que nunca deveríamos rir, por mais que o Sr. M. gaguejasse. Todos nós, as cinco crianças, tínhamos a melhor vontade de seguir as suas instruções, mas a atmosfera se ia tornando mais e mais tensa cada vez que ele ficava suspenso numa sílaba. Percebendo que estávamos ao ponto de estourar em risadas insopitáveis, quando o Sr. M., pediu o “v...v...v (que nunca chegou a ser vinagre), minha mãe veio ao nosso socorro com esta exclamação: “Vejam, meninos! Vejam só o que eu fiz. Pus açúcar no picadinho de Richard...”

O riso rompeu facilmente, explodindo de cinco pequenas criaturas. Assim, com isso, ela nos ensinou que os elementos da bondade são, não apenas um sentimento resplandecente e caloroso, mas, também, espírito e imaginação, usados com rapidez e habilidade!”

(Autor desconhecido)

Um dia para o homem Jesus


A humanidade está necessitando urgentemente de estabelecer um dia para reverenciar o homem Jesus de Nazaré.

Explico-me: o dia ou dias pretensamente a Ele dedicados não o são efetivamente. O escapismo humano tem conseguido, ao longo do tempo, desviar o foco das atenções. Abstrai-se daquilo que é essencial e que toca o âmago dos problemas, para ater-se, muito compungidamente, na aparência, às exterioridades. Assim é que, com relação à figura do Mestre, à medida que passa o tempo, mais se acentua e comemora tudo o que está ligado à Sua memória, com exceção dEle mesmo. Celebra-se tudo o que está em torno do Mestre e esquece-se o que constitui todo o motivo de sua vinda e sacrifício: o ensino moral!

Senão, vejamos.

No Natal, toda a Cristandade reverencia... o menino Jesus. Lembrando-se, ternamente, da figura do Redentor na manjedoura, evoca-se a sagrada família, exalta-se a ternura da criança excelsa, armam-se milhares de presépios e... todos entram na euforia do Natal. Distribuem-se presentes, o comércio age febrilmente, as propagandas intensivas e vistosas estimulam o consumismo de todos, a lei determina que os empregadores paguem um salário extra, para atender a tal regozijo, muitos viajam e outros tantos participam de ofícios religiosos solenes em torno do... nascimento de Jesus.

Em seguida, há a pausa de uns três meses e depois o movimento se repete, com uma diferença: o motivo agora é... a morte do Senhor. Na Semana Santa, com maior contrição, todos rememoram o grande sacrifício do Salvador. Histórias são contadas, filmes exibidos, textos das sagradas escrituras são lidos, sermões relembram as cenas tocantes da perseguição, o processo e a execução na cruz. Nalguns lugares, procedem-se até encenações em cenários naturais. Tudo em torno da morte, do sacrifício do Senhor. Legiões de pessoas, porém, estão menos preocupadas com o motivo da comemoração em si do que com os feriados e a oportunidade especial de viajar, passear, cumprir planos previamente elaborados.

Pouco mais de um mês após, é maio, o mês das flores, quando se comemora o chamado Dia das Mães. E a figura maior das comemorações é Maria, a mãe de Jesus, paradigma de todas as mães. A homenagem é muito justa, naturalmente, mas dirigida à mãe do Mestre e não a Ele próprio.

No mês seguinte, os homenageados são... os apóstolos do Senhor. E, estranhamente as comemorações são feitas com festas e mais festas, bailes, fogueiras, comidas típicas, alegrias ruidosas! Paulo, Pedro, João, o Batista e o Evangelista, personagens que deram o melhor de si em favor do Evangelho nascente, inclusive a própria vida; que viveram na austeridade e renúncia são homenageados paradoxalmente com festas muito pouco espirituais... De qualquer forma, os reverenciados são... os discípulos do Senhor. E então, em dezembro, tudo se repete.

Por que, afinal de contas, os homens parecem encontrar tão grande dificuldade em entender que a figura central disso tudo é Ele mesmo – Jesus, o Divino Mestre – enviado para redimir a Humanidade, indicando-lhe o caminho da Verdade e da Vida, para que se liberte do chavascal do erro e do sofrimento?

Ponderando-se a questão, concluímos que na verdade o que ocorre não é desentendimento quanto ao real sentido das coisas, mas comodismo mesmo, gosto pelas superficialidades e prazeres, com fuga deliberada dos deveres mais graves, porque centrando-se na figura do homem Jesus, seus objetivos, seus ensinos, encontra-se com muita coisa que incomoda e dá o que pensar.

“Não resistais ao mal. Se alguém vos bater na face direita, apresentai-lhe também a outra... Não negueis a quem vos pede emprestado. Se alguém vos obrigar a caminhar mil passos, ide com ele mais dois mil...” E há tanta gente reivindicando direitos, disputando vantagens, por métodos nem sempre pacíficos, promovendo movimentos paredistas, quebra-cabeças...

“Bem-aventurados os pobres de espírito... Não ajunteis para vós tesouros que a traça corrói, a ferrugem consome e os ladrões desenterram e roubam. Ajuntai tesouros do espírito, que não estão sujeitos a nada disso e que vos acompanham na passagem para a outra vida. É mais fácil fazer passar um cabo pelo fundo de uma agulha do que...” Mas as necessidades da vida material são tantas e a luta pela sobrevivência tão árdua! Até mesmo quando já se tem o suficiente para viver e garantir a família... será errado continuar ganhando, amealhando, melhorando cada vez mais as condições de vida? E o futuro, as necessidades dos dependentes? E os juros do overnight, do open market, a mais de 50%, Senhor?! E os dividendos, debêntures, ágios?... Como conciliar uma coisa com outra?

“Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”. Mas, Senhor, há tanta gente antipática por aí!

“Perdoai não sete vezes, mas setenta vezes sete...” Bem, tem certas coisas que não dá para perdoar!

“Quando derdes um festim, convidai os pobres e os estropiados... Ide e pregai, curai os enfermos, limpai os leprosos, daí vista aos cegos, expeli os maus espíritos em meu nome...” mas, Senhor, conviver com essa gente? E será que conseguimos mesmo alguma coisa estendendo sobre eles as nossas mãos? Tem que rezar muito, abrir mão de muita coisa!...

“E aquele dentre vós que quiser ser meu discípulo, a si mesmo se negue, tome sua cruz e siga-me...”

Bem, já compreendemos porque o homem Jesus anda tão esquecido.

O “fio da caridade”


Conta-se que um homem, pecador, egoísta, um dia precipitou-se num abismo e foi ter ao fundo de um fosso escuro e profundo. Assustado, mexeu-se, procurou saída, não encontrou. Tentou subir pelas encostas, mas as paredes, muito lodosas, não davam firmeza. Bradava por socorro e tinha por resposta tão só o eco de suas palavras. Desesperado, lembrou-se de Deus e, pela primeira vez na vida, dobrou os joelhos em terra, em prece fervorosa, deprecando a misericórdia do Senhor...

Abriu os olhos, banhado em lágrimas, e parecia estar tudo do mesmo jeito. Quando já ia descoroçoando, conseguiu divisar um tênue fio de aranha, que descia do alto, até onde ele estava. Mirando-o, uma voz lhe disse no adito do ser: - Por que não se agarra nesse fio, quem sabe por ele poderá se salvar? Espantado e duvidoso, não tendo, todavia, opção, nosso personagem resolve tentar. Segurou o fio e, de fato, foi subindo por ele, subindo, subindo devagarinho.

Quando já estava quase alcançando a borda do fosso, olhou para baixo e viu que não estava sozinho: dois outros perdidos do abismo subiam também, agarrados no mesmo fio. O homem deu-se pressa em enxotá-los com o pé, bradando: - Soltem isso aí, seus atrevidos, não vêem que não dá para mais de um? Os outros dois caíram, mas logo em seguida o fio se rompeu e ele caiu também. Novamente no fundo do fosso e sem recursos, a voz se fez ouvir de novo.

- Se Você tivesse deixado os outros dois subirem também, teriam todos se salvado, mas o seu egoísmo pesou muito e o fio não resistiu...

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O apólogo expressa bem o que é a caridade em nossa vida. Primeiramente, a sua delicada simbologia nos ensina que as coisas de Deus são mesmo assim: os mais frágeis recursos (teia de aranha), com Sua Graça, se tornam os mais poderosos. Em seguida, vemos que a lei da caridade segue, muitas vezes, uma lógica oposta à nossa e a própria lei física da matéria: quanto mais peso (da ajuda que se presta a outrem), tanto mais leve (dos cuidados só consigo próprio), menor capacidade.

Assim acontece com as pessoas que, embora pobres de recursos materiais ou intelectuais, enfermas ou aparentemente incapazes, se animadas do sentimento do Bem, exercendo a solidariedade humana, vão conseguindo superar os maiores obstáculos e avançam, conduzindo outros no caminho do socorro e do aprendizado. Mas aqueles que, preocupados, acreditam não dispor de meios para ajudar a ninguém, não encontram também solução nem para os próprios males.

(Lenda Oriental)

A história do faquir


(...) Lembro-me da estória de um faquir que vivia numa pequena cabana. Uma noite, por volta da meia-noite, chovia fortemente e o faquir e sua mulher estavam dormindo. De repente, bateram à porta: alguém procurava abrigo.

O faquir acordou a esposa: “Alguém está lá fora”, disse ele. “Algum viajante, algum amigo desconhecido”.

Você notou a expressão? Ele disse: “amigo desconhecido”. E você não considera amigo nem aqueles a quem conhece. A atitude dele era de amor.

O faquir disse: “Algum amigo desconhecido espera lá fora. Por favor, abra a porta”.

Sua esposa disse: “Não temos quarto. Não temos lugar nem para nós dois. Como podemos receber mais uma pessoa?”.

O faquir respondeu: “Minha querida, este não é o palácio de um homem rico. Não pode tornar-se menor do que é. O palácio de um homem rico parece diminuir quando chega um único hóspede, mas esta é a cabana de um homem pobre”.

A esposa perguntou: “O que essa questão de pobreza ou riqueza tem a ver com isso? O fato é que esta cabana é muito pequena!”

O faquir respondeu: “Se houvesse espaço suficiente em seu coração, sentiria que esta cabana é um palácio, mas se seu coração é estreito, mesmo um palácio parecerá pequeno. Por favor, abra a porta. Como podemos repelir um homem que bateu à nossa porta? Até agora, nós estivemos deitados. Talvez não possamos deitar os três, mas poderemos nos sentar. Haverá lugar para todos se ficarmos sentados”.

A mulher teve que abrir a porta. O homem entrou com as roupas ensopadas. Eles se sentaram e começaram a conversar. Depois de um tempo, chegaram mais duas pessoas e bateram à porta.

O faquir disse: - “Parece que há mais alguém”. E pediu ao hóspede, sentado mais perto da porta, que a abrisse. O homem disse: -“Abrir a porta? Não há espaço”. O homem que havia recebido abrigo na cabana momentos antes esqueceu-se de que não havia sido o amor que o faquir sentia por ele que lhe havia dado o lugar, mas sim o amor que havia na cabana. Agora haviam chegado outras pessoas. E o amor devia acolher os recém-chegados.

Mas o homem disse: -“Não, não é preciso abrir a porta. Não vê a dificuldade que temos agachados aqui?”.

O faquir disse: - “Meu caro, não tive lugar para você? Você foi recebido porque aqui há amor. E ele ainda está aqui, não acabou com a sua entrada. Abra a porta, por favor. Agora estamos sentados longe uns dos outros, nós nos sentaremos mais perto. Além do mais, a noite está fria e nos dará calor e prazer sentarmos bem perto uns dos outros”.

A porta foi aberta e os dois recém-chegados entraram. Todos sentaram-se bem juntos e começaram a se apresentar.

Então, chegou um burro e empurrou a porta com a cabeça. O animal estava molhado, queria abrigar-se da noite. O faquir pediu a um dos homens, que estava sentado quase encostado na porta, que a abrisse. “Um novo amigo chegou”, disse o faquir.

Olhando lá fora, um dos homens disse: “Não é um amigo ou nada parecido com isso. É apenas um asno. Não é preciso abrir”.

O faquir disse: “-Talvez você não saiba que à porta de alguns homens ricos os homens são tratados como animais, mas esta é a cabana de um pobre faquir e estamos acostumados a tratar os animais como seres humanos. Por favor, abra a porta”.

Em uníssono, todos reclamaram. “Mas, e o espaço?”

“Há bastante espaço: Em vez de ficarmos sentados, podemos ficar de pé. Não se aborreçam. Se for necessário, eu sairei e haverá lugar para todos”.

O grande homem


Mantém o seu modo de pensar, independentemente da opinião pública.

É tranqüilo, calmo, paciente, não grita, nem desespera.

Pensa com clareza, fala com inteligência, vive com simplicidade.

É do futuro, não do passado.

Sempre tem tempo.

Não despreza nenhum ser humano.

Causa a impressão dos vastos silêncios da Natureza: como o céu.

Não é vaidoso. Como não anda à cata de aplausos, jamais se ofende.

Possui sempre mais do que julga merecer.

Está sempre disposto a aprender, mesmo das crianças.

Vive dentro de seu próprio isolamento espiritual, onde não chega nem o louvor nem a censura.

Não obstante, seu isolamento não é frio: ama, sofre, pensa, compreende.

O que você possui: dinheiro, posição social, nada significa para ele; só lhe importa o que você é.

Despreza a opinião própria, tão depressa verifica o seu erro.

Não acata usos estabelecidos e venerados por espíritos tacanhos. Respeita somente a verdade.

Tem mente de homem e coração de menino.

Conhece-se a si mesmo, tal qual é, e conhece a Deus.

(Anônimo – de um papel de parede)

Os Dez Mandamentos de Serenidade do Papa João XXIII



1- Só por hoje tratarei de viver exclusivamente este dia, sem querer resolver o problema de minha vida, todo de uma vez.

2- Só por hoje terei o máximo cuidado com o meu modo de tratar os outros: delicado nas minhas maneiras, não criticarei ninguém, não pretenderei melhorar nem disciplinar ninguém a não ser a mim.

3- Só por hoje sentir-me-ei feliz com a certeza de ter sido criado para ser feliz, não só no outro mundo, mas também neste.

4- Só por hoje adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias se adaptem a todos os meus desejos.

5- Só por hoje dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, lembrando-me de que assim como é preciso comer para sustentar o meu corpo, assim também a leitura é necessária para alimentar a vida de minha alma.

6- Só por hoje praticarei uma boa ação sem contá-la a ninguém.

7- Só por hoje farei uma coisa que não gosto, e se for ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.

8- Só por hoje far-me-ei uma programa bem completo do meu dia. Talvez não o execute perfeitamente, mas em todo caso vou fazê-lo. E guardar-me-ei bem de duas calamidades: a pressa e a indecisão.

9- Só por hoje ficarei bem firme na fé de que a Divina Providência se ocupa de mim mesmo como se existisse somente eu no mundo, ainda que as circunstâncias manifestem o contrário.

10- Só por hoje não terei medo de nada. Em particular, não terei medo de gostar do que é belo e não terei medo de crer na bondade.

A força do Amor



Preparavam-se os noivos para os esponsais, quando os pais da jovem descobriram que o pretendente à mão da filha era freqüentador assíduo de uma casa de jogos. Decidiram então se opor tenazmente à realização do matrimônio, a pretexto de que o homem que se dá ao vício do jogo jamais pode ser bom marido. Mas, a jovem, obstinada em desconhecer as razões invocadas pelos pais, acabou por vencer-lhes a resistência e casou-se.

Nos primeiros dias de vida conjugal, o homem portou-se como um marido ideal. A pouco e pouco, porém, renascia-lhe, cada vez mais irrefreável, o desejo de voltar à mesa de jogo. Certa noite, incapaz de resistir à pressão do vício, retornou ao convívio de seus antigos companheiros.

No lar, a esposa, sentada em uma cadeira de balanço, aguardava o regresso do marido, que tardava. Embora ocupada com alguns trabalhos de bordado, tinha a mente presa aos ponteiros do relógio, cujas horas pareciam suceder-se cada vez mais lentas. Já era quase uma hora da madrugada, quando o marido abriu a porta da sala. Visivelmente irritado com o surpreender a companheira ainda em vigília, pois via nisso ostensiva censura à sua conduta, interrogou-a asperamente:

- Que fazes aí, há estas horas?

- Entretenho-me com este bordado, respondeu ela, imprimindo à voz um acento de ternura e bondade.

- Não vês que é tarde?

- Sinceramente, distraída como me achava, não havia atentado para o adiantado da hora...

E, sem dar maior importância à ocorrência, foi ela deitar-se.

No dia seguinte, à noite, repetiu-se a cena. O marido ausentou-se e a esposa, já ciente do que se passava, pôs-se de novo a esperá-lo. Quando ele chegou, já pelas duas da madrugada, encontrou a companheira de pé. Então, num assomo de cólera, bradou:

- Que é isto? Outra vez acordada?!

- Sim, não quis que fosse deitar-se, sem que antes fizesses um ligeiro repasto. Preparei-te um chá com torradas e aqui o tens quentinho! Espero que o aprecies.

E, sem indagar do marido onde estivera e o que fizera até aquelas horas, a boa esposa beijou-lhe carinhosamente a fronte e recolheu-te ao leito.

Na terceira noite, nova ausência do marido e nova espera da esposa. Lá por volta de uma e meia da madrugada, entrou ele e, antes que se insurgisse contra a atitude da companheira, esta se lhe prendeu ao colo, num afetuoso abraço, e exclamou:

- Querido, D. Antonieta, nossa vizinha, ensinou-me a receita de um bolo delicioso e eu não queria que te deitasses, sem que antes provasses dele.

A ocorrência repetiu-se por várias vezes, com visíveis e crescentes preocupações para o marido. Na mesa de jogo, tinha o pensamento menos preso às cartas do que à esposa que o esperava pacientemente, como um anjo da paz. Começou, então, a experimentar uma sensação de vergonha, ao mesmo tempo que de indiferença e quase de repulsa por tudo quanto o rodeava, porque já era mais forte do que o vício o amor por aquela criatura que nele operava tão radical transformação. De olhar vago e distante, como se estivesse diante de outro cenário, levantou-se abruptamente, cedendo a um impulso quase automático, e retirou-se, para nunca mais voltar...

(Rubens Romaneli - Transcrito de “O Primado do Espírito”)

Eliakim, o mercador



Há cerca de 1900 anos, nas distantes terras da Síria, um homem, que exercia a profissão de mercador, ouviu falar da grande epopéia do Cristianismo nascente e se emocionou. A grande perseguição aos cristãos, o heroísmo daquelas almas que se deixavam imolar, sem reação, em nome de um ideal espiritual, eram coisas que iam além de sua capacidade de entendimento.

De tal maneira empolgou-se com as notícias e descrições dos grandes espetáculos sangrentos que se davam em Roma e nas regiões da Palestina, trazidas por viajantes, que converteu-se também ao Cristianismo, conquanto sem dispor de maiores informações a respeito, passando a ouvir sofregamente algum pregador dos princípios da Boa Nova que chegavam até ali, e a ler todos os pergaminhos que conseguia contendo informes sobre a nova Doutrina e as peripécias dos recém-convertidos.

Admirava a coragem de homens, mulheres e crianças que, aprisionados pelos esbirros de César, caminhavam para as arenas do martírio cantando hinos de louvor aos céus pela oportunidade do testemunho. Assim pensando, decidiu oferecer a própria vida também em holocausto ao novo movimento redentor e passou a rezar ardentemente a Alah ou ao Deus dos cristãos para que seu nome fosse aceito dentre os escolhidos para o martírio.

Empolgado com tais idéias, um dia, ao adormecer, sonhou que subia, subia, até atingir a morada dos anjos. Uma alma de peregrina beleza e doçura, em forma de mulher, apresentou-se-lhe e informou que seu oferecimento para o martírio fora aceito pelo Senhor.

Surpreso e emocionado, sentiu-se repentinamente recambiado ao chão e acordou recordando nitidamente o sonho singular. Desde então passou a aguardar, entre apreensivo e contente, o momento do testemunho supremo. Sempre que tinha ensejo, declarava sua condição de cristão e procurava converter a quantos podia à nova Doutrina. Todavia, por mais que fizesse, nunca sentiu a reação de qualquer perseguição, o que não ocorria nas terras onde vivia.

E o tempo passava, passava, viagens após viagens, trabalho, contatos, pregações e nada de perseguição, até que começou a sentir-se desalentado, cogitando se não teria cometido alguma falta que tivesse desagradado ao Senhor da Vida, acarretando a revogação da aceitação de seu sacrifício. Depois de muitos anos, recordando ainda claramente aquele sonho expressivo que tivera, considerando que não podia ser mera fantasia de sua mente.

Passados, porém, os momentos de divagação, retomava o trabalho, com todo o critério e a alegria de levar suprimentos e novidades aos clientes que se acostumaram a esperá-lo a tempo certo.

Assim, sob o peso do trabalho rude, enfrentando sempre o desconforto da canícula, o pó do deserto e os perigos do caminhos, chegou à velhice, arcado e extenuado, sentia, porém, que ainda que não era tempo de abandonar o serviço. Ademais, viajando e tendo contato com muita gente, é que tinha ensejo de declarar sua condição de cristão, até que alguma perseguição o tomasse como vítima da nova Doutrina.

Certo dia, suportando a custo os solavancos do animal em marcha pachorrenta na longa viagem, sentiu-se mal e caiu. Sozinho, ofegante, suarento, em meio ao árido areal, viu-se desamparado. Os dois camelos, suas únicas e habituais companhias, após esperarem algumas horas, seguiram caminho sem o condutor, em busca da própria sobrevivência.

Absolutamente só agora, queimando em febre, começou a delirar. Por sua mente passava, como em visão acelerada, todas as cenas de sua vida, com ênfase nos fatos relacionados com sua admiração pelo heroísmo dos cristãos, a beleza das pregações do mestre Galileu, a história comovente de sua crucificação e... sua decisão de doar a própria vida pela nova Doutrina. Não era possível – pensava – que sua existência viesse a terminar ali, sem que se desse o martírio previsto.

Brando sono se apoderou dele e sentiu-se leve, subindo, subindo... Nisso, vê novamente a figura doce da alma santificada que lhe havia aparecido em sonhos décadas atrás a recebê-lo informando, naturalmente: - Eliakim, não chores, nem te deixes abater! Tampouco suponhas tenha havido qualquer falha em tua vida ou nas promessas do Senhor, de que fui incumbida de comunicar-te. Teu sacrifício foi aceito, sim, e cumpriu-se de forma admiravelmente correta. Entregando-te ao trabalho árduo no dia-a-dia e levando a tanta gente o suprimento que esperava, cumpriste tua parte no concerto da vida e deste-te em louvor ao bem. Não viveste para ti mesmo, Eliakim, mas, servindo ao próximo, dividiste tua vida pela vida de muitos. Não foste vítima de perseguições sanguinolentas, mas mantiveste acesa a lâmpada da esperança com o teu sangue circulando nas próprias veias e levando as notícias da Boa Nova juntamente aos produtos próprios de teu trabalho. Sê benvindo à Casa do Senhor!...

A estória, caro leitor, traduz bem a condição do trabalhador do Evangelho nos dias atuais. A época dos sacrifícios sangrentos passou, mas a oportunidade do testemunho se oferece aos amigos do Grande Mártir da Cruz da mesma forma. Sacrificando-se a cada dia, no anonimato das próprias obrigações, esquecendo-se a si mesmo para atender aos deveres para com o próximo, levando, nos contatos do cotidiano, as “especiarias” de nossa mensagem viva de paz, paciência, tolerância e abnegação, podemos fazer-nos discípulos modernos do Excelso Mestre e com o mesmo mérito daqueles que deram sua vida nos circos do martírio...

Não deixemos vacilar nossa fé, nem nos cansemos de lutar por levar o suprimento espiritual do bem a quantos pudermos beneficiar. Todas as vezes que a sensação de carência pessoal nos assaltar, sugerindo-nos a idéia de ocuparmo-nos mais conosco mesmos esquecendo os outros, lembremo-nos da estória de Eliakim, o Mercador, e recobremos o ânimo.

E sendo fiéis nesse testemunho de cada dia, vamos morrendo aos poucos, dando a vida ao Senhor gradativamente, para merecermos ter acesso ao grupo de almas nobres de Seus amigos, que nos antecederam na árdua, mas compensadora escalada.

Acredite em você



Por vezes nos questionamos: como encarar as grandes alterações que se apresentam em nossas vidas? Como agir em uma nova situação, onde tudo aquilo que já estávamos habituados a realizar precisar ser aprendido novamente? Como vencer, respeitando nossos elevados ideais?
O extraordinário é que muitas pessoas desenvolvem os melhores talentos e habilidades justamente após passarem por situações difíceis: os valores morais, a capacidade de liderar, a habilidade de desenvolver acordos benéficos, as grandes amizades, a competência de estabelecer novos métodos de ação baseados nas experiências adquiridas ao longo do tempo, o conhecimento do enorme potencial que existe no trabalho em equipe.
Todas essas e outras qualidades surgem ou se aprimoram quando o momento exige e quando sabemos que há uma meta grandiosa a ser conquistada. Nem sempre é simples deixar de lado as antigas práticas e hábitos. Pode ser necessário ajustar-se aos novos recursos disponíveis, ou utilizar estratégias às quais ainda não conhecíamos bem. Mas todo vencedor reconhece que negativismo e timidez só atrapalham nesta etapa.
Ainda que os desafios surjam de várias direções; com habilidade, coragem e entusiasmo podemos obter ótimos resultados. A união de firmeza de caráter e sabedoria, juntamente com o equilíbrio entre nossos sentimentos e racionalidade é um processo essencial para se obter a realização de nossos sonhos.
É uma experiência maravilhosa atingir a realização de um propósito, tendo a certeza de que cumpriu sua missão. Ouvir o próprio nome com alegria, a alegria de quem reconheceu nas dificuldades a ocasião de progredir, e tendo a felicidade de ter conseguido superar as adversidades, ser vitorioso e continuar sendo fiel às suas qualidades essenciais.

Deus existe


Era sexta-feira e a professorinha primária se dirigia a seus queridos alunos, na última aula da semana, falando-lhes da Religião...

Esforçando-se por lhes provar a existência de Deus, dizia:

-Vocês já ouviram de manhã cedinho, nem bem o dia amanhece, o passaredo cantando nos ramos floridos das árvores? Eles entoam um Hino ao Criador de todas as coisas, eles louvam a Deus!

- Já observaram o murmúrio das águas que deslizam pela encosta da montanha? É um Hino de Amor, que a Natureza entoa a Deus!

- Já contemplaram, à beira-mar, o ir e vir perene das ondas verdes, com sua espuma se espalhando na areia branca da praia? É o mar louvando o Criador de todas as coisas: Deus!

- Já admiraram as nuvenzinhas brancas, que bailam no horizonte além, contrastando com o azul do céu? É o mundo que nos cerca, louvando a Deus, nosso Criador!

- Não é verdade, portanto, crianças, que Deus existe?

- Sim, senhora! – responderam todos.

Isto é, todos não. Pedrinho, um garoto esperto e muito comunicativo, levantou-se e disse:

- Professora, eu não creio em Deus. Achei muito bonito o que a senhora falou, mas não me convenci da existência de Deus. Quero ver Deus! Se a senhora me mostrar Deus, então eu acreditarei nEle!...

E, por mais que a professora se esmerasse em seus argumentos, Pedrinho permanecia irredutível:

- Não adianta, professora! Eu quero ver Deus!...

A mestra encerrou como pôde sua aula e lá se foi para a casa de seus pais, numa cidade próxima, a fim de passar o final de semana.

Tempos depois, passava pelo colégio o inspetor escolar que, após a visita rotineira, perguntou à professora se havia algum problema ou alguma dificuldade a resolver e ela se lembrou logo de Pedrinho, o garoto que desejava ver Deus, e lhe narrou tudo o que fazia para convencê-lo, mas debalde.

O inspetor prometeu ajudá-la e, momentos após, dirigindo-se aos alunos, tocou no assunto combinado: provas da existência de Deus. Repetiu todos os argumentos da jovem mestra e ainda aduziu outros que no momento conseguiu, fazendo, no fim da explanação, a pergunta fatal:

- Não é verdade, meus alunos, que, depois de tudo o que lhes falei, ninguém mais duvida da existência de Deus? Não é verdade que Deus existe?

E a turma inteira confirmou as palavras do inspetor, num perfeito e uníssono jogral:

- Sim, senhor, Deus existe!

Somente um aluno permanecera indiferente e impassível. Mal terminara o entusiasmo da turma, aplaudindo as palavras do inspetor, nosso Pedrinho se levantou e confessou sua dúvida cruel: precisava ver Deus, para então acreditar na sua existência.

O inspetor, quando foi inteirado do problema da professora, pediu-lhe dois copos com água e num deles colocara açúcar, tendo, porém, antes, o cuidado de coar várias vezes a água açucarada, de modo a não se poder saber, a olho nu, qual dos dois era o de água adocicada e cobrira com um guardanapo os dois copos – um com água e açúcar e outro com água natural – apresentando ambos a mesma limpidez.

- Está bem, meu filho – falou-lhe o inspetor. – Vou ajudá-lo a ver Deus. Você está vendo estes dois copos com água? – disse-lhe, retirando o pano que cobria os dois copos.

- Sim, senhor! – respondeu-lhe Pedrinho. – Ver é comigo, pois, só creio no que posso ver!

- Pois bem. Um dos dois copos tem água com açúcar. Você é capaz de me dizer qual deles?

Para logo, o menino olhou por cima dos dois copos, esperando encontrar cristais de açúcar no fundo de um deles. Nada descobriu, porém.

Já ia batendo em retirada, frustrado, diante dos colegas, que aguardavam, ansiosos, o desfecho esperado: a conversão do descrente colega.

Entretanto, o inspetor prosseguiu:

- Vamos, Pedrinho, não desista!

- O senhor me deixa segurar os copos?

- À vontade, rapaz, faça como quiser!

Pedrinho, então, inverteu a minuciosa inspeção, passando a olhar... por baixo dos dois copos e o resultado foi nenhum... Cabisbaixo, ia-se retirando, derrotado, ante os cochichos zombeteiros dos colegas, mas o inspetor impediu-lhe a saída, animando-o:

- Vamos, Pedrinho, tente mais uma vez!

Pedrinho parou um pouco, como que refletindo e lhe propôs:

- O senhor me deixar provar?

- Pois não, Pedrinho, esteja à vontade!

Mais calmo, já meio esperançoso, o menino toma do primeiro copo, prova-lhe a água e nada acha. Pega no segundo copo e exclama, vitoriosamente:

- Achei! Achei! É este o que tem açúcar!...

- Como foi que você descobriu? – indagou o inspetor.

- Ah! Foi fácil. Eu senti...

- Pois bem, meu filho, Deus também é assim: não se vê, se sente!... Quando você refletir melhor, haverá de sempre sentir Deus em tudo e em todas as coisas: no mais pequenino grão de areia, que o vento rola, até nos gigantescos mundos, que rodopiam no Infinito. E arrematou, concludente:

- Deus não se vê, se sente!

Pedrinho não meneou afirmativamente a cabeça, concordando, de pronto, com as palavras do experimentado inspetor, porém, nunca mais negou a existência de Deus. (José Jorge)

Dá de ti mesmo



Declaraste não possuir dinheiro para auxiliar.

Acreditas que um pouco de papel ou um tanto de níquel te substituem o coração?

Esqueces-te, meu filho, de que podes sorrir para o doente e estender a mão ao necessitado?

A flor não traz consigo uma bolsa de ouro e espalha perfume no firmamento.

O Céu não exibe chuvas de moedas, mas enche o mundo de luz.

Quanto pagas pelo ar fresco que, em bafejos amigos, te visita o quarto pela manhã?

O oxigênio cobra-te imposto?

Quanto te custa a ternura materna?

As aves cantam gratuitamente.

A fonte que te oferece o banho reconfortador não exige mensalidade.

A árvore abre-te os braços acolhedores, repletos de flor e fruto, sem pedir vintém.

A benção divina, cada noite, conduz o teu pensamento a bendito repouso no sono e não fazes retribuição de espécie alguma. Habitualmente sonhas, colhendo rosas em formoso jardim, junto de companheiros felizes; no entanto, jamais te lembraste de agradecer aos mensageiros celestiais que te proporcionam venturoso descanso.

A estrela brilha sem pagamento.

O Sol não espera salário.

Por que não aprenderes com a Natureza em torno?

Por que não te fazeres mais alegre, mais comunicativo, mais doce?

Tens a fisionomia seca e ensombrada por faltar-te dinheiro excessivo e reclamas recursos materiais para ser bom, quando a bondade não nasce dos cofres fortes.

Sê irmão de teu irmão, companheiro de teu companheiro, amigo de teu amigo.

Na ciência de amar, resplandece a sabedoria de dar.

Mostra um semblante sereno e otimista, em todos os momentos.

Estende os braços, alarga o coração, comunica-te com o próximo, através dos fios brilhantes da amizade fiel.

Que importa que alguém te não entenda o gesto de amor?

Que seria de nós, meu filho, se a mão do Senhor se recolhesse à distância, por temer-nos a rudeza e a maldade?

Dá de ti mesmo, em toda parte.

Muito acima do dinheiro, pairam as tuas mãos amigas e fraternas.

(Fonte: Revista do Pensamento – abril/68)

Cristianismo prático


Quando era monge, João Colobo disse um dia a seu abade: “Quero ser como os anjos, sem preocupação, rendendo culto a Deus, ininterruptamente.”

Tirou seu manto e partiu para o deserto. Depois de uma semana retornou, faminto, ao abrigo e bateu. “Quem és?” - perguntou a voz do abade, atrás da porta. - “Sou o monge João Colobo.” - “Não pode ser” - tornou a voz – João Colobo virou anjo e não está mais entre os homens”. - “Oh! não”, insiste o monge - “sou eu mesmo que volto”.

Mas o abade o deixou ao relento até a manhã e quando lhe abriu a porta, disse:

-”Se és homem, trata de trabalhar para o teu sustento!”

O monge inclinou-se, respeitosamente, pediu perdão e submeteu-se, desde então, à disciplina.

* * *

O Cristianismo não está divorciado da vida prática. Ao contrário, Ele dá qualidade e significado ao nosso cotidiano. É Marta e Maria.

Há o escapista, que foge do mundo para dedicar-se, inteiramente, à vida contemplativa; há o materialista, que faz de sua vida um meio e fim; mas, há o equilibrado, que leva Deus na sua consciência, a cada circunstância e atividade da vida. A respeito, São Paulo escreveu: “Jamais comemos pão de graça, mas com labor e fadiga, para não sermos pesados a ninguém, tendo em vista oferecer-vos exemplo e nos imitardes.” (II Tess. 3: 8-9)

(extraído de “Padres do Deserto”, séc. IV e V)

Lição da borboleta


Um dia, uma pequena abertura apareceu em um casulo.

Um homem sentou-se e observou a borboleta por várias horas, e como ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco. De repente, pareceu que ela parou de fazer qualquer progresso. Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir além.

Então o homem decidiu ajudar a borboleta. Ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta, então, saiu facilmente, mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observar a borboleta porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abririam e se esticariam para serem capazes de suportar o corpo, que iria se firmar com o tempo.

Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendeu é que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura é o meio com que Deus permite que o fluido do corpo da borboleta vá para as suas asas, de modo que ela fique pronta para voar, uma vez que consiga estar livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos fazer em nossa vida.

Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Nós não seríamos tão fortes como podemos ser. Nós nunca poderíamos voar.

Um minutinho do seu tempo



“Há tempo para todo o propósito, embaixo dos céus e na Terra.” (Eclesiastes 3 V. 1)

Imagine que você tenha uma conta corrente e, a cada manhã, você acorde com um saldo de R$ 86.400,00. Só que não é permitido transferir o saldo para o dia seguinte. Todas as noites o seu saldo é zerado, mesmo que você não tenha conseguido gastá-lo durante o dia.

O que você faz? Você irá gastar cada centavo, é claro! Todos nós somos clientes deste banco que estamos falando: o banco do Tempo!

No começo de cada dia, cada pessoa recebe um crédito de 86.400 segundos. Todas as noites o saldo é debitado, como perda. Lembre-se: todo dia é tudo novo, de novo. Pela manhã, a sua conta começa novamente, com crédito... À noite, as sobras do dia se evaporam. Não há volta. Você precisa gastar vivendo no presente o seu depósito diário.

Invista, então, no que for melhor: na saúde, felicidade, sucesso, no trabalho, no amor, no aconchego de casa, no projeto de caridade que você está pensando. Você escolhe. O relógio está correndo... O tempo está no seu curso normal. E o pêndulo do relógio (tempo) não “vai-e-volta”; ele “vai-e-vai.”

Portanto, faça o melhor para seu dia-a-dia.

Veja só, ainda...

Para você perceber o valor de um ano,

Pergunte a um estudante que repetiu o ano.

Para você perceber o valor de um mês,

Pergunte para uma mãe que teve o seu bebê prematuramente.

Para você perceber o valor de uma semana,

Pergunte a um editor de um jornal semanal.

Para você perceber o valor de uma hora,

Pergunte aos amantes que estão esperando para se encontrarem.

Para você perceber o valor de um minuto,

Pergunte a uma pessoa que perdeu um trem.

Para você perceber o valor de um segundo,

Pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente.

Para você perceber o valor de um milésimo de segundo,

Pergunte a alguém que ganhou a medalha de prata na Olimpíada.

Portanto, valorize cada momento que você tem!

E valorize mais, quando você o dividir com alguém especial, especial o suficiente para gastar seu tempo junto com você. Lembre-se: o tempo não espera por ninguém.

Sobrevivência


Durante a Era Glacial, quando grande parte do globo terrestre esteve coberta por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil.

Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro, e todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.

Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes proporcionavam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem por mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito... Mas não foi a melhor solução. Afastados, separados, logo começaram a morrerem congelados. Os que não morreram, voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma unidos, que cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar danos recíprocos. Assim, suportaram-se, resistiram à longa Era Glacial. Sobreviveram.

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Nascer é fácil, viver é fácil, morrer é fácil. Difícil é conviver.

O próximo mais próximo


Quando um amigo adentra a nossa casa, colocamos um sorriso no rosto. Procuramos sermos prestativos, companheiros, perguntamos como ele está, o que tem feito. Somos sobretudo extremamente simpáticos. Nosso semblante é a própria expressão da alegria e da camaradagem.

Batemos carinhosamente em suas costas. Olhamos com respeito e amizade nos seus olhos. Sorrimos, sorrimos muito.

Termina a conversa, o amigo precisa ir embora e despedimo-nos carinhosamente.

Agora estamos em nossa casa com nossa família (o amigo já foi embora).

Como que por milagre nosso rosto se fecha, ficamos taciturnos, carrancudos. Vamos ler o nosso jornal num canto para ninguém nos atrapalhar. Passamos a ser outra pessoa. Junto ao amigo somos pessoas simpáticas e sorridentes, junto à nossa família somos pessoas antipáticas e exigentes.

Por quê?

Será que para o bem de todos não seria melhor tratar nossa família como tratamos nossos amigos?

Certa vez uma criança de sete anos perguntou à sua mãe, que era famosa apresentadora de programa de TV:

“- Mãe, por que na tela da televisão você sempre aparece sorrindo e feliz e em casa está sempre séria e nervosa?

A mãe, pega de surpresa, respondeu:

- É porque na televisão eu sou paga para sorrir.

No que a filha mais do que depressa interpelou:

- Mãe, quanto você quer ganhar para sorrir também em nossa casa?”

Por que não sorrir no melhor lugar do mundo, que é o nosso lar?

Quando você encontrar um irrigador de grama em funcionamento, pare para analisá-lo.

Verifique que, girando, ele irriga toda a grama à sua volta. Mas chegue mais perto. Olhe a grama que está próxima do irrigador. Ela certamente estará seca. O irrigador molha toda a grama que está distante de si, mas não consegue molhar a grama que está tão próxima.

Será que em nossa família nós não estamos agindo à semelhança do irrigador de grama?

Como estar mais presente e mais ativo junto à nossa família?

Devemos conscientizarmo-nos que, se é importante, muito importante, ajudar o próximo, é justamente em nossa família que estão os próximos mais próximos. Devemos abraçar com carinho, beijar com amor os integrantes de nossa família. Devemos sorrir, dizer coisas bobas, tolas, mas alegres. Devemos acabar com aquele ar de “pessoa séria e responsável”, pois seriedade e responsabilidade devem estar em nosso íntimo e em nossos atos, não necessariamente em nossa cara. Assim agindo nossa casa irá se transformar num lar.

(Alkindar de Oliveira - do livro “Viver bem é simples, nós é que complicamos” - Ed. Didier)

Atitude é tudo


Paul Pichnoff Júnior conta uma história que vem bem a propósito: É sobre Jerry, um tipo de pessoa que você iria adorar. Ele sempre estava de alto-astral e sempre tinha algo positivo para dizer. Quando alguém lhe perguntava: “Como vai você?” ele respondia: “Melhor que isso, só dois disso!”

E Paul continua contando que Jerry era o único gerente de uma cadeia de restaurantes e todos os garçons seguiam seu exemplo. E a razão disso eram suas atitudes. Ele era, naturalmente, motivador. Se algum empregado estivesse tendo um mau dia, Jerry prontamente estava lá, contando ao empregado como olhar pelo lado positivo da situação.

Observar seu estilo me deixava realmente curioso e então, um dia, eu perguntei a Jerry: “Eu não acredito! Você não pode ser uma pessoa positiva o tempo todo... Como você consegue?” E ele respondeu: “Toda manhã, ao acordar, digo para mim mesmo: Jerry, você tem duas escolhas hoje: escolher estar de baixo-astral ou escolher estar de alto-astral. Eu escolho estar de alto astral. A todo momento que acontece alguma coisa desagradável, eu posso escolher aprender algo com isso. Eu escolho aprender algo com isso! Sempre que alguém vem reclamar da vida comigo, eu posso escolher aceitar a reclamação, ou posso escolher apontar o lado positivo da vida para a pessoa. Eu escolho apontar o lado positivo para a pessoa.

Então eu argumentei: “Tá certo! Mas não é tão fácil assim!” “É fácil sim, Jerry disse...” A vida consiste em escolhas. Quando você tira todos os detalhes e enxuga a situação, o que sobra são escolhas, decisões a serem tomadas. Você escolhe como reagir nas situações. Você escolhe como as pessoas irão afetar seu astral. Você escolhe estar feliz ou triste, calmo ou nervoso... Em suma é escolha sua como você vive sua vida”.

Eu refleti no que Jerry disse. Algum tempo depois deixei o restaurante para abrir meu próprio negócio. Nós perdemos contato, mas freqüentemente pensava nele quando tomava a decisão de viver ao invés de ficar reagindo aos acontecimentos. Alguns anos mais tarde, ouvi dizer que Jerry havia feito algo que nunca se deve fazer quando se trata de restaurantes: ele deixou a porta dos fundos aberta e, conseqüentemente, foi rendido por três assaltantes armados.

Enquanto ele tentava abrir o cofre, sua mão, tremendo de nervoso, errou a combinação do cofre. Os ladrões entraram em pânico, atiraram nele e fugiram. Por sorte, Jerry foi encontrado, relativamente rápido, e foi levado às pressas ao pronto-socorro local. Depois de 18 horas de cirurgia e algumas semanas de tratamento intensivo, Jerry foi liberado do hospital com alguns fragmentos de balas ainda em seu corpo.

Encontrei com Jerry seis meses depois do acidente. Quando eu perguntei: “Como vai você?” ele respondeu: “Melhor que isso, só dois disso! Quer ver minhas cicatrizes?” Enquanto olhava as cicatrizes, perguntei o que passou pela mente dele quando os ladrões invadiram o restaurante. “A primeira coisa que veio a minha cabeça foi que eu deveria ter trancado a porta dos fundos...”, ele respondeu. “Então, depois, enquanto estava baleado no chão, lembro-me que tinha duas escolhas: eu podia escolher viver ou podia escolher morrer. Eu escolhi viver.”

(Augusto Marzagão - extraído de O Globo, ed. 21.09.97)