domingo, 28 de março de 2010

Examina o teu Desejo

Mediunidade é instrumento vibrátil e cada criatura consciente pode sintonizá-lo com o objetivo que procura.

Médium, por essa razão, não será somente aquele que se desgasta no intercâmbio entre os vivos da Terra e os vivos da Espiritualidade.

Cada pessoa é instrumento vivo dessa ou daquela realização, segundo o tipo de luta a que se subordina.

“Acharás o que buscas” – ensina o Evangelho, e podemos acrescentar – “farás o que desejas”.

Assim sendo, se te relegas à maledicência, em breve te constituirás em veículo dos gênios infelizes que se dedicam à injúria e à crueldade.

Se te deténs na caça ao prazer dos sentidos, cedo te converterás no intérprete das inteligências magnetizadas pelos vícios de variada expressão.

Se te confias à pretensa superioridade, sob a embriaguez dos valores intelectuais mal aplicados, em pouco tempo te farás canal de insensatez e loucura.

Todavia, se te empenhas na boa vontade para com os semelhantes, imperceptivelmente terás o coração impelido pelos mensageiros do Eterno Bem ao serviço que possas desempenhar na construção da felicidade comum.

Observa o próprio e encontrarás a extensa multidão daqueles que te acompanham com propósitos escuros na retaguarda.

Eleva-te no aperfeiçoamento próprio e caminharás de espírito bafejado pelo concurso daqueles pioneiros da evolução que te precederam na jornada de luz, guiando-te as aspirações para as vitórias da alma.
Examina os teus desejos e vigia os próprios pensamentos, porque onde situares o coração aí a vida te aguardará com as asas do bem ou com as algemas do mal.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: “Mediunidade e Sintonia”. Ditada pelo Espírito Emmanuel

Estudando o Bem e o Mal

Para que sejamos intérpretes genuínos do bem, não basta desculpar o mal.

É imprescindível nos despreocupemos dele, em sentido absoluto, relegando-o à condição de efêmero acessório do triunfo real das Leis que nos regem.

Evitando comentários complexos em nosso culto à simplicidade, recorramos à natureza.

Vejamos, por exemplo, o apelo vivo da fonte.

Quantas vezes terá sido injuriada a água que hoje nos serve à mesa?

Do manancial ao vaso limpo, difícil trajetória cumulou-a de vicissitudes e provações.

O leito duro de pedra e areia ...

A baba venenosa dos répteis ...

O insulto dos animais de grande porte ...

O enxurro dos temporais ...

Os detritos que lhe foram arrojados ao seio ...

A fonte, entretanto, caminhou despretensiosa, sem demorar-se em qualquer consideração aos sarcasmos da senda, até surpreender-nos, diligente e pura, aceitando o filtro que lhe apura as condições, a fim de que nos assegure saciedade e conforto.

Segundo observamos, na lição aparentemente infantil, o ribeiro não somente olvidou as ofensas que lhe foram precipitadas à face.

Movimentou-se, avançou, humilhou-se para auxiliar e perdoou infinitamente, sem imobilizar-se um minuto, porque a imobilidade para ele constituiria adesão ao charco, no qual, ao invés de servir, converter-se-ia tão-só em veículo de corrução.

É por isso que o ensinamento cristão de caridade envolve o completo esquecimento de todo mal.

“Que a vossa mão esquerda ignore o vem praticado pela direita.”

Semelhantes palavras do Senhor induzem-nos a jornadear na Terra, exaltando o bem, por todos os meios ao nosso alcance, com integral despreocupação de tudo o que represente vaidade nossa ou incompreensão dos outros, de vez que em qualquer boa dádiva somente a Deus se atribui a procedência.

Procurando a nossa posição de servidores fiéis da regeneração do mundo, a começar de nós mesmos, pela renovação dos nossos hábitos e impulsos, olvidemos a sombra e busquemos a luz, cada dia, conscientes de que qualquer pausa mais longa na apreciação dos quadros menos dignos que ainda nos cercam será nossa provável indução ao estacionamento indeterminado no cárcere do desequilíbrio e do sofrimento.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: “Mediunidade e Sintonia”. Ditada pelo Espírito Emmanuel

Esclarecimentos

Muitos companheiros solicitam orientação do Céu para a vitória nas provas da Terra, mas, em verdade, não necessitamos tanto de novos roteiros esclarecedores e sim de ação mais intensiva na obra edificante do bem.

O caminho é o mundo ...

Mundo-escola e mundo-oficina, em que valiosas oportunidades felicitam a alma, fielmente interessada na própria elevação.

Não nos detenhamos na expectativa dos que adoram o Senhor, sem qualquer esforço para servi-lo. Ele próprio legou-nos, com a Boa Nova, o mapa luminoso para a romagem na Terra.

Libertemos a claridade que jaz enclausurada em nosso corações e sigamos adiante.

Há espinhos reclamando extinção.

Feridas que pedem bálsamo.

Aflições mendigando paz.

Pedras à espera de braços amigos que as utilizem.

Há mentes encarceradas na sombra rogando luz.

Há crianças abandonadas, implorando socorro para consolidar as bases em que recomeçam a vida nova.

Quem estiver procurando a inspiração dos Anjos, não se esqueça dos lugares onde os Anjos colaboram com o Céu, diminuindo o sofrimento e a ignorância na Terra.

Agir no bem é buscar a simpatia dos Espíritos Sábios e Benevolentes, encontrando-a.

Se Jesus não parou em contemplação inoperante, transitando no serviço ao próximo, da Manjedoura até a Cruz, ninguém, aguarde a visitação dos Mensageiros Divinos, paralisando as mãos na esperança sem trabalho e na fé sem obras.
O aprimoramento da mediunidade e a espiritualização renovadora são problemas de boa vontade na decisão de trabalhar e na cooperação, porque somente buscando trazer o Céu ao mundo, pela nossa aplicação ao bem, é que descobriremos a estrada verdadeira que nos conduzirá efetivamente para os Céus.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: “Mediunidade e Sintonia”. Ditada pelo Espírito Emmanuel

Em Torno da Mediunidade

Ser médium não é simplesmente fazer-se veículo de fenômenos que transcendem a alheia compreensão.

Acima de tudo, é indispensável entendamos na faculdade mediúnica a possibilidade de servir, compreendendo-se que semelhante faculdade é característica de todas as criaturas.

Acontece, porém, que o homem espera habitualmente pelas entidades protetoras em horas de prova e sofrimento, para arremessar-se ao estudo e ao trabalho quase sempre com extremas dificuldades de aproveitamento das lições que o visitam, quando o nosso dever mais simples é o de seguir, em paz, ao encontro da Espiritualidade Superior, movimentando a nossa própria iniciativa, no terreno firme do bem.

A própria natureza é pródiga de ensinamentos nesse particular.

A terra é médium da flor que se materializa, tanto quanto a flor é medianeira do perfume que embalsama a atmosfera.

O Sol é médium da luz que sustenta o homem, tanto quanto o homem é o instrumento do progresso planetário.

Todos os aprendizes da fé podem converter-se em médiuns da caridade através da qual opera o Espírito de Jesus, de mil modos diferentes, em cada setor de nossa marcha evolutiva.

Ampara aos teus semelhantes e encontrarás a melhor fórmula para o seguro desenvolvimento psíquico.

Na plantação da simpatia, por intermédio de uma simples palavra, estabelecemos, em torno de nós, renovadora corrente de auxílio.

Não aguardes o toque de inteligências estranhas à tua, para que te transformes no canal da alegria e da fraternidade, a benefício dos outros e de ti mesmo.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: “Mediunidade e Sintonia”. Ditada pelo Espírito Emmanuel

Árvores Humanas

O texto evangélico, ante a luz da Doutrina Espírita, não se refere aos médiuns categorizando-os por fachos ou estrelas, anjos ou santos.

Com muita propriedade, reporta-se a eles como sendo árvores frutíferas.

E sabemos, à saciedade, que as árvores produzem segundo a própria espécie.

Não vivem sem irrigação e sem adubo; entretanto, o excesso de uma e outro pode perdê-las.

Em verdade, não prescindem do cuidado e do carinho de cultivadores atentos; contudo, se obrigam a tolerar vento e chuva, canícula e tempestade.

São abençoadas por ninhos e melodias de pássaros amigos; todavia, suportam pragas que por vezes lhes carcomem as forças e pancadas de criaturas irresponsáveis que lhes furtam lascas e flores.

Registram a gratidão das almas boas que lhes recolhem o favor e a utilidade, mas agüentam o assalto de quantos lhes tomam a golpes de violência ramos e frutos.

E, conquanto estimáveis aos pomicultores, que lhes garantem a existência, são submetidas por eles mesmos à poda criteriosa e providencial, com vistas ao rendimento e melhoria da produção.

Assim também são os médium da Terra, postos no solo da experiência para a extensão do bem de todos. E anotemos que, semelhantes às árvores preciosas, todos eles, por muito dignos, como sucede a qualquer criatura humana, se elevam em pensamento no rumo do Céu, conservando, porém, os próprios pés nas dificuldades e deficiências do chão.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: “Mediunidade e Sintonia”. Ditada pelo Espírito Emmanuel

Teu Sorriso

Se um coração foi aliviado;

Se alguém obteve novo ânimo;

Se alguma pessoa descobriu para si própria algum sinal de paz;

Ou se teu próprio ambiente surgiu mais claro;

O teu sorriso, mesmo constrangido,

Apresentou imenso valor,

Porque o sorriso,

Mesmo forçado,

Vale muito mais que não sorrir.

DEPOIS DA TEMPESTADE, AVES REFAZEM NINHOS


Xavier, Francisco Cândido. Da Obra: "Material de Construção. Ditada pelo Espírito Emmanuel.