domingo, 28 de março de 2010

Administradores

"Honrai o rei". I - Pedro: 2- 17



O espírito desprevenido que lesse superficialmente a recomendação de Pedro, talvez fosse induzido a inferiores considerações.

Não seria manifestação servil do apóstolo recomendar os príncipes do mundo ao respeito dos aprendizes do Evangelho?

Não seria expressão de medo, o propósito de cativar a atenção de dominadores?

Entretanto, aquele Simão muito amado, cheio de Luz do Pentecostes, escreveu a pequenina indicação, evidenciando Sabedoria Divina.

Dos cooperadores de Jesus na Terra, os que governam ou administram são os que mais requisitam auxílio e compreensão.

Esses homens representativos padecem de certas necessidades espirituais, terríveis e dolorosas.

Possuem críticos exigentes, desde o lar onde respiram ao ponto mais afastado da sua zona de iluminação e bajuladores insidiosos que os rodeiam por cálculo, sempre atentos aos interesses inferiores.

Raramente têm amigos visíveis.

Pedro foi filósofo profundo nesse pedido à cristandade.

Não recomenda servilismo, nem perda da personalidade no esforço da obediência.

Pede respeito simplesmente, porque sabia que o administrador da Terra não pode atender ao próprio trabalho, sem que os subordinados cumpram o dever que lhes compete em particular.

Quem respeita, compreende e coopera.

Em verdade, os príncipes do mundo, em grande parte, esqueceram as obrigações e desencadeiam lutas ferozes da tirania e da ambição, mas não podemos esquecer que os seus tutelados, quase sempre se converteram, em fiscais impiedosos e aduladores sem consciência.

Honra aqueles que o Senhor te deu por superiores hierárquicos, quanto seja possível e justo.

Não condenes, nem bajules.

Honra-os, cumprindo o seu dever no plano geral do serviço.

Se deves amar e proteger a todos os seres que se colocam em posição inferior ao teu nível evolutivo, porque menosprezar os que vivem acima de tua possibilidade ou de tua cabeça?


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Harmonização. Ditada Pelo Espírito Emmanuel.

Entre Chamados e Escolhidos

Apreciando aquele ensinamento dos “chamados e escolhidos”, a destacar-se da palavra do Senhor, nas lições do Evangelho, mentalizemos o assunto, transferindo-o a uma oficina terrestre.

Em favor da produção de serviço, são aí admitidos colaboradores de variada procedência, escalonados em classes diversas.

Todos são chamados pela obra a fazer, a fim de conjugarem esforços dentro das finalidades da instituição a que se ajustam.

Entretanto, raros se portam à altura dos compromissos que assumem.

Muitos deles devoram o tempo, renovando indagações incessantes acerca dos problemas comezinhos da casa, a pretexto de recolherem esclarecimentos e diretrizes.

São os servos ociosos.

Outros muitos confiam-se à irascibilidade e à cólera, arrojando de si os fluídos empestados da indisciplina com que espalham o fogo da rebelião e o gelo do desânimo, anulando máquinas e desencorajando os companheiros.

São os servos revoltados.

Muitos ainda entregam-se ao culto da lisonja, abandonando as obrigações que lhes cabem, para tecerem elogios venenosos à pessoa dos dirigentes, com o fim de lhes subornarem a consciência, à cata de vantagens materiais.

São os servos bajuladores.

Muitos se refugiam nos programas extensos, salientando o futuro com discursos brilhantes, nos quais se reportam a imaginárias realizações, abominando os deveres humildes que consideram indignos da inteligência que lhes é própria.

Mas há um tipo de cooperador que indaga pouco e age muito, que cultua a dignidade pessoal sem descer aos desvarios do orgulho, que sustenta o respeito devido à ordem sem se render à adulação e que traça diretivas de trabalho para cumpri-las, cada dia, ao preço do próprio amor e da própria renúncia.

Servos desses são aqueles que o serviço elege por seus diretores, sem qualquer recurso a caprichos particulares.

Assim, para que te faças escolhido como sustentáculo na obra da luz e do amor, não basta te consagres a longas plataformas verbais ou a preciosas promessas da boca, vazias de substância e sentido.

Antes de tudo, é imprescindível saibamos escolher a própria luz e o próprio amor como normas de nossa vida, porque assim, através do constante serviço aos outros, edificaremos o verdadeiro serviço a nós mesmos em abençoada e permanente ascensão.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Fé, Paz e Amor. Ditado pelo Espírito Emmanuel.

Endereço da Paz

Nunca se diga inútil mecanismo da vida.

A usina é um centro gigantesco de força, mas é a lâmpada que dosa em casa a luz de que carecemos.

Determinada moradia será provavelmente um palácio, mas é a chave que lhe resguarda a segurança.

Realmente, não somos indispensáveis, porque a Providencia Divina não pode falir quando falhamos transitoriamente, mas, em verdade, segundo a Sabedoria do Universo, Deus não criaria, se não tivesse necessidade de nós.

Trabalhe e o serviço conferir-lhe-á respostas exatas.

Ofensas e injúrias? Perdoe sinceramente, sejam quais sejam, e deus auxiliará você a esquecê-las.

Procure agir no bem incessante a alegria ser-lhe-á preciosa salário.

Não importa quando você disponha para agir e servir, a benefício de outrem.

Vale o que fizer e como fizer daquilo que o Senhor já confiou a você.

Por onde você passe e do tamanho que possa, deixe um rastro de alegria.

Você voltará, mais tarde, para colher-lhe a bênção de luz.

Indiferença ou desprezo de alguém? Trabalhe e olvide.

Não ore por vida fácil.

Roguemos a Deus ombros fortes, não só para carregar o bendito fardo das obrigações que nos competem, como também para sermos mais úteis.

Cada coração pode ser um manancial de bênçãos.

Incompreensões te envolvem a estrada, dificultando-te os passos...

Paciência e coragem.

Desgostos francamente inesperados aparecem-te de súbito...

Coragem e paciência.

Notícias fulminantes esfogueiam-te os ouvidos...

Paciência e coragem.

Enfermidades sitiam-te a casa, conturbando-te a vida...

Coragem e paciência.

Surpresas amargas te procuram, às vezes, por dentro do próprio lar...

Paciência e coragem.

Entes queridos se te transformam em aflitivos problemas.

Paciência e coragem.

Conflitos e tentações assomam-te ao pensamento, ameaçando-te a consciência tranqüila...

Coragem e paciência.

Sejam quais forem os obstáculos que te desafiem, aciona essas duas alavancas da paz, porque a coragem te manterá o coração ligado à fé no Divino Poder que nos rege os dias e a paciência é a luz da esperança que nasce de nós, assegurando-nos a vitória sobre nós mesmos nas lutas edificantes do dia-a-dia.

Se você não consegue evitar a irritação, use o silêncio.

Os defeitos mais arraigados são aqueles que tomamos à feição de qualidades.

É preciso discernir:

apresentação e vaidade;

brio e orgulho;

serenidade e indiferença;

correção e frieza;

humildade e subserviência;

Fortaleza e segurança de coração.

Quando algum sentimento nos induzir a parecer melhor ou mais forte que os outros, é chegado o momento de procurar a nossa própria realidade, para desistir da ilusão.

De que serve a felicidade dos felizes quando não diminui a infelicidade dos felizes quando não diminui a infelicidade dos que se sentem menos felizes?

Nunca se diga inútil nos mecanismo da vida.

Quando você estiver à beira da inconformação, conte as bênçãos que já terá recebido.

Riqueza, nas essências, é o aproveitamento real das oportunidades que a vida nos oferece em nome do Senhor.

Não esmoreça, ante os obstáculos do caminho de elevação.

Ninguém foge aos princípios de causa e efeito, mas ninguém está privado da liberdade de renovar o próprio caminho, renovando a si mesmo.

Cada um de nós onde se encontre agora permanece em meio da colheita daquilo que plantou, com a possibilidade de efetuar novas sementeiras.

Em nossas próprias tendências de hoje será possível entrar no conhecimento do que fazíamos ontem.

Achamo-nos todos presentemente no lugar certo, com as criaturas certas e com as obrigações exatas, a fim de realizarmos o melhor ao nosso alcance.

Quando você puder:

movimente-se, fale, trabalhe ou escreva para fazer o bem.

Não pergunte.

Sirva.

Alguém está precisando.

Quem é, saberá você depois.

Desgostos e contratempos? Entregue-se ao serviço, em favor dos semelhantes, e Deus lhe dissipará qualquer sombra no coração.

Terá você cometido algum erro? Procure conscientemente reparar a própria falta e Deus lhe dotará o coração com as oportunidades e meios de corrigenda.

Algum problema difícil? Busque atuar invariavelmente para o bem e Deus lhe orientará os pensamentos e os passos para a melhor solução.

Efetivamente, você ainda não conquistou a alegria permanente, todavia, consegue endereçar um sorriso de simpatia aos que necessitam de esperança.

Não despreze seu corpo.

Viver para que?

Para aprendermos a viver bem e a viver para bem e a viver para o bem.

O dinheiro que estimula o bem, nas suas variadas formas, é missionário do Céu.

O dinheiro que alivia é bálsamo da Vida Superior.

O dinheiro que cura é alimento divino.

O dinheiro que gera trabalho digno é dínamo do progresso.

O dinheiro que restaura o bom ânimo é fraternidade em ação.

O dinheiro que planta alegria e fé renovadora é criador de benções imortais.

Tristeza e desânimo?

Trabalhe reconfortando aqueles que experimentam provações maiores do que as nossas.

Desafios e problemas?

Trabalhe e espere.

Ódio sobre os seus dias?

Trabalhe, estendendo o bem.

Desarmonia e discórdia?

Trabalhe pacificando.

Incompreensão e ignorância?

Trabalhe e abençoe.

Reprovação e crítica?

Trabalhe melhorando as suas tarefas.

Contratempos e desilusões?

Trabalhe e renove-se.

Tentações e quedas?

Trabalhe e afaste-se.

Crueldade e violência?

Trabalhe e desculpe.

Cada oração pode ser um manancial de benções.

Seu cérebro vive cheio de perguntas?

Trabalhe e o serviço conferir-lhe-á respostas exatas.

Suas mãos permanecem paralisadas pelo desânimo?

Insista no trabalho e o movimento voltará.

Seu coração vive pesaroso e sem luz?

Procure agir no bem incessante e a alegria ser-lhe-á preciosos salário.

Seus ideais encontram sombra e gelo no grande caminho da vida?

Dê seu concurso às boas obras sem desfalecer a claridades novas brilharão no céu de seus pensamentos.

A parada que não significa descanso construtivo para recomeçar as atividades úteis é alguma cousa semelhante à morte.

Senhor!

Ante as ofensas que, porventura, me firam, auxilia-me a lembrar quantas vezes já recebi o perdão alheio, diante de minhas próprias faltas.

Senhor!

Deixa-me perceber quanto tenho incomodado aos outros com os meus erros, para que os prováveis erros dos outros não me façam desanimar.


Xavier, Francisco Cândido. Ditado pelo Espírito André Luiz.

Em Tua Afição

Guarda cuidado, nas horas de aflição, para que as tuas lágrimas de sofrimento não se convertam em óleo de egoísmo, incandescido nas chamas do desespero, a incendiar-te o caminho.

Lembra-te dos que jornadearam na Terra antes de ti e recorda que outros viajarão amanhã no sulco de teus passos para que a serenidade e a confiança te abençoem a existência.

Nos instantes de inconformação e de dor, lança breve olhar à retaguarda e reflete na angústia dos que caminham, dentro da noite, sem esperança...

Observa os que jazem na sombra da cegueira, os que se tresmalham nas trevas da loucura, os que foram mutilados ao nascer...

Medita naqueles que ainda hoje não dispuseram de pão para sossegar o estômago atormentado, que não puderam conciliar o sono sob as garras da inquietação ou que agonizam fora do lar, sequiosos da assistência e do afeto que lhes faltaram à vida...

Não te detenhas, na revolta ou no desânimo, já que possui cérebro para raciocinar com segurança, olhos para enxergar a paisagem, verbo para tecer a caridade e o consolo das mãos para auxiliar...

Não olvides que as aflições irremediáveis emudecem o coração, impedindo, muitas vezes, a própria palavra naqueles que lhes padecem o insulto.
E, fazendo da própria luta o aprendizado bendito que Deus te concede, transforma a tua aflição menor, que ainda pode clamar e definir-se, queixar-se e estender-se, em sublime passo de entendimento para que te faças mais útil aos que sofrem mais que ti mesmo, assimilando do Senhor a lição inolvidável do sacrifício e da renúncia, através da qual, diante da flagelação e da morte, converteu a própria cruz num poema de bem-aventurança e vida imperecível.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Fé, Paz e Amor. Ditado pelo Espírito Emmanuel.

Em Nossas Reuniões

Meus amigos, muita paz.

Em nossas reuniões espíritas, saibamos oferecer à plantação do bem as nossas vibrações de alegria e esperança.

Nunca nos cansaremos de induzir-vos à cooperação e à fraternidade.

Qual acontece num agrupamento social da Terra, devemos trazer ao nosso intercâmbio contentamento e harmonia, fé robusta e otimismo incansável.

O trabalho de uma sessão espírita é a soma das necessidades dos companheiros que a integram.

Problemas difíceis reclamam atenção.

Moléstias graves pedem assistência.

Tarefas de educação exigem devotamento e carinho.

A tristeza e o cansaço não servem para emoldurar o quadro das honrosas obrigações com que Jesus nos distingue.

Busquemos, desse modo, em nosso trabalho de socorro e oração, os alicerces da luz que pode irradiar-se de nossa alma, em emissões verbais de consolo e edificação.

Ninguém é tão pobre que não possa dar ao irmão de luta algumas palavras de bom ânimo.

Nossos cultos de espiritualidade superior esperam por vosso óbolo de boa vontade.

O “vintém da viúva” não é somente aquela moedinha singela que celebrizou uma pobre mulher no Templo de Jerusalém. É também nossa frase de colaboração nas boas obras, nossa migalha de esforço no auxílio ao próximo, nosso sorriso de compreensão ainda mesmo quando nos achemos fatigados...

Auxiliai a nossa comunicação convosco para que vibre entre nós o entusiasmo de servir.
Somos também necessitados do vosso concurso construtivo e, contando sempre com a vossa esmola generosa de solidariedade no dever a cumprir, rogamos ao Senhor que nos ilumine e abençoe.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Fé, Paz e Amor. Ditado pelo Espírito Emmanuel.

Em Casa

O templo doméstico é uma bênção do Céu na Terra, porque dentro dele é possível realizar o verdadeiro trabalho da santificação.

Aí temos o valioso passadiço da alma, em trânsito para as Esferas Superiores.

Nesse divino corredor para a Vida Celestial, a criatura encontra todos os processos de regeneração, de modo a aperfeiçoar-se devidamente.

É na consangüinidade, quase sempre, que o homem recebe as mais puras afeições, mas é igualmente nela que reencontra as suas aversões mais profundas.

Nossa alma é arrojada à organização familiar, no mundo, assim como o metal inferior é precipitado ao cadinho fervente.

Precisamos suportar a tensão elevada do clima em que estagiamos, a fim de apurar nossas qualidades mais nobres.

Não vale fugir ou rebelar-se.

Retroceder seria retornar às sombras do passado e indisciplinar-se eqüivaleria relegar ao amanhã abençoadas realizações que o Senhor espera de nossa boa vontade ainda hoje.

Saibamos, assim, usar a prece e a serenidade, a compreensão e a tolerância, se desejamos reduzir o tempo do nosso curso educativo na recuperação espiritual.

Com alguns, aprendemos a servir valorosamente a muitos.

Redimindo-nos perante o adversário de ontem, nosso coração vitorioso circulará no grande entendimento da Humanidade.

Se encontraste, em casa, o campo de batalha, em que te sentes compelido a graves indenizações do pretérito, não te detenhas na hesitação ou na dúvida.

Suporta os conflitos indispensáveis à própria redenção, com o valor moral do soldado que carrega o fardo da própria responsabilidade, enquanto se desenvolve a guerra a que foi trazido.

Não te esqueças de que o lar é o espelho, onde o mundo contempla o teu perfil e, por isso mesmo, intrépidos e tranqüilos nos compromissos esposados, saibamos enobrecê-lo e santificá-lo.


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Fé, Paz e Amor. Ditado pelo Espírito Emmanuel.